terça-feira, 9 de novembro de 2010

A GESTÃO ESCOLAR E SEUS DESAFIOS


          Enquanto agentes e educadores imbuídos do desejo peculiar na análise do comportamento de gestores no tocante ao ensino-aprendizagem, convém ressaltar que o conhecimento é imensurável dentro do contexto da metodologia do ensino e da visão clientelista a que muitos estão de certa forma submetidos.

          Por outro lado, a revisão de certos conceitos acadêmicos faz com que diretores (as), supervisores (as), e pedagogos (as) e outros se sintam de alguma forma desmotivados (as) quando na implantação de uma metodologia didática estruturante, tendo-se em vista o que foi exaustivamente debatido durante a longa jornada em sala de aula.

          Uma vez amplamente discutido e de alguma forma, tendo como primeiro plano o riquíssimo acervo bibliográfico, fonte do aprendizado e da experiência adquirida é imperioso que o profissional em questão reoriente a sua caminhada com respeito ao compromisso ora assumido.

          Nesse prisma a Educação deve ser encarada como um desafio constante na busca de novas oportunidades e ferramentas ideais na inserção do conteúdo programático e, que deverá estar coerentemente embasado na normatização em vigor e/ou àquilo que a próprio ensino deixa como legado aos profissionais da área.

          Contudo, necessário se faz romper paradigmas e analisar, planejar e desenvolver projetos pedagógicos que sirvam não como fundamento utópico. A Educação deve ser repensada de forma crítica, sem o deslumbramento inicial e ingênuo de que obstáculos a serem transpostos terão pouca ou nenhuma dificuldade.

          Convém reconhecer o papel do gestor escolar como de fundamental importância não apenas como coordenador de uma instituição, mas, sobretudo como dinamizador das atitudes e do comportamento de todos que o cercam. É imprescindível antever os mecanismos disciplinadores que são o fortalecimento desse elo tão importante na definição das metas diárias que representa o vetor principal do projeto pedagógico da própria escola.

          Sensato seria termos uma Educação justa e que desenvolvesse o senso de equidade de seus membros, formando um ser humano com a auto-estima elevada, crítico, consciente, digno, engajado, solidário, dinâmico, participativo, habilidoso, qualificado, responsável, respeitador e espiritualizado, enfim.

          Esta Educação tão debatida deve ser vista e revista como um processo comum do ser íntegro e integral, que dê valor aos pequenos talentos e progressos e, que trabalhe com conteúdos significativos e, substancialmente, que jamais deixe de buscar meios interessantes para executar todas essas tarefas para muitos vistas como dispendiosas.

          A Educação ideal é aquela que desenvolve habilidades, aquela cuja pedagogia funda-se na união e cooperação porque educar implica em inserir a escola na sociedade, discutindo as interferências de uma para a outra e, também decidindo quais são efetivamente os conteúdos pertinentes a serem trabalhados e de que forma isto poderá ser feito.

          Abrir espaços pedagógicos para abordar de fato a nossa cultura nacional, nada mais é que uma questão ética e que precisa estabelecer-se na própria escola, aquela que se revela contra as manifestações discriminatórias de raça, gênero, classe, cultura, credo, dentre outros e, melhor, de dentro para fora.

          Apesar deste enfrentamento com a realidade, a presente expectativa de reconhecermos a dimensão histórico-cultural (sempre inacabada) do próprio processo de aprendizagem da história da humanidade, é fato notório. Esta “realidade” do mundo e do homem – não pode ser mais analisada sob o ponto de vista linear, face à uma visão essencialmente antropológica.

          É preciso reconhecer as contradições que mobilizam os homens, a história e a cultura dentro dessa realidade. Portanto não se trata de ordenar e classificar os fragmentos de histórias, mas, reconhecer os bastidores deste cenário, apontando limites e desafios.

          Portanto, através desses conhecimentos adquiridos, interessante se faz observar que a análise da gestão escolar carece de uma realidade em que esteja explícita a auto-análise como influência do aspecto educacional.

          Até porque, mesmo com o bom trabalho desenvolvido sempre existirá uma distância da verdadeira escola-modelo, que interage com a comunidade, os profissionais da Educação, e principalmente o aluno, embasada numa filosofia que corresponda à realidade com enfoque na dinamização do ensino-aprendizagem sem as interferências de toda ordem.

          Mas, alguns aspectos necessitam ser mensurados em relação ao convívio interpessoal, no resgate do bom relacionamento, do companheirismo, e na possibilidade de se trabalhar as habilidades de todos os membros da escola.

          A reorientação das famílias é outro fator fundamental para que a gestão descubra seu papel primordial no grupo social de modo cooperativo, sendo este o ideal de verdadeiro educador.

          É importante, também, a inserção de uma gestão participativa que anule o discurso ideológico. Uma vez que de todos os segmentos escolares sobre o valor da democracia, o perfil do gestor, é o que está suscetível às críticas face às ações diárias que propõem uma visão mais próxima da realidade.

          A isto se atribui a falta de conhecimento de alguns agentes e educadores quanto ao verdadeiro significado da palavra “gestão”, e da verdadeira dimensão que isso implica dentro do universo escolar.

          Uma vez observado a diversidade de idéias, opiniões e sugestões, o gestor (a) escolar deve renunciar quaisquer atos de egocentrismo, insegurança e insatisfação que venha a ser disseminado como um “mal” aos seus subordinados, alunos, pais e comunidade  inseridos nesse contexto.

          Neste caso o diretor (a) precisa ter clareza de que sua efetiva presença deverá estar voltada para os objetivos comuns e sua postura pautada na transparência de ações, uma vez que o mesmo (a) organiza e gerencia todas as atividades da escola, evidentemente auxiliado pelos demais componentes.

          É importante que o diretor tenha a absoluta convicção da sua responsabilidade, estando, pois, apto a novos e constantes desafios sendo o sujeito vigilante e atuante na promoção de momentos de reflexão, estando aberto ao diálogo e, principalmente procurando estabelecer um conjunto de metas factíveis com a participação dos envolvidos para que a Educação de fato seja globalizada, qualitativa, humanizadora, reflexiva e formadora.

Fonte: http://recantodasletras.uol.com.br/artigos/1306945

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Cuidados com a Escola


Para que aconteça a aprendizagem na escola e haja um clima de respeito e segurança no ambiente alguns cuidados são necessários.
Na escola, tudo deve estar na mais perfeita ordem para que o aluno sinta-se valorizado e encontre no ambiente escolar a esperança de uma vida melhor, desde quem recebe o aluno no portão, até as instalações da sala de aula e outras dependências da instituição.
O preparo do ambiente escolar, tornando-o acolhedor, agradável e bonito aos olhos de todos, é uma ação pedagógica de responsabilidade do gestor da instituição.
Muitas escolas se encontram em estado físico tão destruído e mal cuidado que os alunos não sentem atração alguma pela mesma.
Imagine-se no lugar desses alunos, chegando a uma sala de aula com carteiras quebradas, pintura descascada, pouca iluminação, goteiras, dentre outros tantos pequenos problemas. Será que teria disposição e motivação para passar cinco horas do seu dia num local assim? Quais os valores da educação se não se pode estudar numa escola bem cuidada, limpa e bonita?
A aparência física da escola é importante para o aluno, pois esses cuidados demonstram que a direção da escola, ou seja, o gestor escolar, se preocupa em manter um clima de respeito aos alunos, sendo responsável pela parte educativa que cabe à diretoria da escola a apresentação física da mesma.
Além disso, a estruturação da grade curricular, o acompanhamento dos trabalhos dos professores, reuniões pedagógicas do corpo docente e administrativo, etc. são partes do processo de aprendizagem de responsabilidade do gestor, elementos que não podem faltar.
Em se tratando de escolas públicas, a depredação deve ser trabalhada com a comunidade. As pessoas precisam aprender que o público é algo de todos e, portanto, para o bem-estar das pessoas que moram naquela região. Se eles mesmos são tratados com desrespeito, com prédios mal cuidados e sem estrutura, sentirão que aquela escola não promove uma educação de qualidade. Afinal, uma coisa está relacionada com a outra, é a pura questão da motivação.

Por Jussara de Barros
Graduada em Pedagogia
Equipe Brasil Escola
Fonte: http://www.educador.brasilescola.com/gestao-educacional/cuidados-com-escola.htm

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Oito ações para construir uma escola leitora

Garantir acesso a bons livros e criar um ambiente em que a leitura é rotina são maneiras eficazes de formar leitores de literatura. Veja como tornar isso realidade

1 Aproveite os mais diversos ambientes
PORTAS ABERTAS Sem lugar para o acervo, a EM Ivo de Tassis usa armários nos corredores. Foto: Jane Freitas Rocha


Não é por falta de sala exclusiva que o acervo deve ficar encaixotado. "Já vi bibliotecas em corredores e até na entrada do banheiro", diz Celinha Nascimento, mestre em literatura brasileira e assessora de escolas públicas e particulares. Entre 2001 e 2009, Anália Fagundes Felipe foi diretora da EM Ivo de Tassis, em Governador Valadares, a 315 quilômetros de Belo Horizonte, e usou um carrinho para facilitar o contato com os livros. Ele passava nas salas e ficava no pátio durante o recreio (as professoras de leitura cuidavam do empréstimo). Depois, a equipe gestora instalou armários nos corredores, com portas que se abrem nos intervalos. "O espaço foi batizado pelas crianças de Ivoteca, em referência ao nome da escola", conta Anália. Perto das prateleiras, há murais com indicações dos títulos mais retirados, dados sobre os turnos que mais buscam obras - incentivando uma saudável competição - e dicas literárias feitas pelos alunos. Outra dica é decorar paredes com poemas, trechos de livros e dados sobre os autores.

2. Invista na organização do acervo
Para garantir que as obras transformem a maneira como crianças, jovens e adultos se relacionam com a literatura, não basta alinhá-las nas estantes da escola. Se o leitor precisa percorrer longas prateleiras sem entender a ordem dos livros, a busca pelo título desejado fica desanimadora. Uma das estratégias para fugir desse problema é separar as obras em literatura infantil, juvenil e adulta - bem como por tema, autor ou gênero. Uma boa inspiração é pensar em como funcionam as livrarias. Assim como elas usam estratégias para incentivar a compra, sua escola pode copiar o modelo com o objetivo de atrair leitores: expor logo na entrada os volumes mais retirados em determinado período, destacar as novidades em murais ou jornais internos, montar caixas com os livros divididos por faixa etária e colocá-las em locais de fácil acesso e deixar tudo sempre ao alcance dos estudantes - as prateleiras baixas, com itens para os pequenos, e as mais altas, para os mais velhos. "Muitas vezes, encontramos coisas maravilhosas e raras quando investimos em uma boa organização", afirma Celinha Nascimento.

3 Busque maneiras de ter (mais) livros
SEM MEDO DE USAR  Na EMEIEF Carlos Drummond de Andrade, os livros vão até mesmo ao jardim. Foto: Luciana Cavalcanti/Paralaxis
Toda escola tem direito a um acervo variado e atualizado. Desde 1997, o Ministério da Educação (MEC) fornece, por meio do Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE), livros de literatura para as instituições públicas. Algumas Secretarias de Educação contam com projetos semelhantes: no Rio de Janeiro, gestores e professores estaduais recebem dinheiro para atualizar o acervo durante o tradicional Salão do Livro. Em Santa Catarina, alunos do Ensino Fundamental ganham da Secretaria Estadual títulos de autores brasileiros. Se o acervo de sua escola está há muito tempo sem ser renovado, os especialistas sugerem organizar campanhas de arrecadação junto à comunidade ou solicitar doações a livrarias. Nesse caso, é preciso ficar atento ao que chega para escolher apenas o que tem qualidade literária e é, de fato, interessante
para os alunos.

4. Faça os livros circularem
Receio de que a capa estrague, as páginas se soltem ou o exemplar desapareça - eis algumas das inquietações que afligem os gestores. Antes de tudo é bom lembrar que, como todos os bens de consumo, os livros têm vida útil e, mais cedo ou mais tarde, precisam ser repostos. Por isso, nenhuma dessas preocupações pode impedir que os livros cumpram sua função: passar por alunos de todas as idades e chegar à comunidade. A equipe gestora da EMEIEF Carlos Drummond de Andrade, em Santo André, na Grande São Paulo, permite que as professoras levem exemplares para o jardim para que as crianças ouçam histórias e leiam num ambiente descontraído. Camila de Castro Alves Teixeira, da central pedagógica da Comunidade Educativa Cedac, em São Paulo, sugere campanhas educativas para ensinar os usuários a preservar os livros. Mais produtivo do que temer perdê-los é investir no controle de retirada (com programas de computador ou cadernos de registro). Um exemplar pode não ser devolvido por esquecimento ou porque o aluno quer ficar com ele. Discutir os direitos e deveres da vida em sociedade e elaborar regras de uso do acervo - prevendo a possibilidade de renovar o empréstimo da obra - pode ser um caminho. Mesmo as punições - sem exageros, por favor - são necessárias: enquanto não houver a devolução do livro atrasado, o usuário pode ficar impedido de realizar novos empréstimos.

 Fonte: http://revistaescola.abril.com.br/gestao-escolar/diretor/quatro-acoes-subsidiar-professor-eventual-substituicao-590700.shtml?page=0




quarta-feira, 23 de junho de 2010

GESTÃO E PEDAGOGIA




Professora Rosangela Maria Baldessar

Gerente de Ensino Fundamental

Secretaria da Educação e Cultura

Otacílio Costa





Melhorar a qualidade da educação no Brasil exige profundas mudanças na forma de conceber e operar as Escolas e Secretarias de Educação. Se continuarmos na mesmice, os resultados não mudarão.

O Brasil ainda não entendeu o que é necessário para produzir educação de qualidade. Continuamos insistindo na tecla da expansão e dos remendos. Dois deles chamam a atenção. O primeiro refere-se aos professores. Só teremos educação de qualidade quando conseguirmos atrair para o magistério os melhores dentre os egressos do ensino médio, com perfil para educador. O outro é a gestão escolar. As Secretarias devem GESTAR a política educacional e as escolas GESTAR a pedagogia do sucesso e autonomia, sendo que, na maioria das vezes há uma inversão de papéis, ocasionando muito tempo em discussões obsoletas sem objetivo ou encaminhamentos para o sucesso escolar.

Mascarar a gravidade da situação dificilmente contribuirá para avançar na formação de consenso na área. A formação de um consenso sobre os problemas é um primeiro passo essencial para abrir os caminhos e poder trilha-los, sem que o gestor assuma sozinho a frente deste trabalho, mas sim, ao lado para interagir a política educacional com a pedagogia do sucesso.

O ensino deve ser organizado, o professor deve apresenta a matéria, explicar, servir de modelo, dar exemplos e interagir com os alunos. Revisões e a avaliação deverão ser frequentes, normalmente semanal, no máximo, mensal. O dever de casa regular, para uma pedagogia mais eficaz. Nada disso, funciona sem um professor que conheça o conteúdo, tenha o domínio da turma e a capacidade de ensinar de maneira organizada. Assegurado o conhecimento do conteúdo, o professor é tão bom quanto os métodos pedagógicos que domina.

No entanto, o diálogo, a interação poderá acontecer na inclinação das curvas e nos percalços da caminhada, rumo ao mundo desenvolvido com seus desafios e complexidades. Interação requer reciprocidade de todos os envolvidos no processo educacional; requer comprometimento, ética e atitude.

Portanto, o resgate do professor passa pela conquista do piso salarial e também urgentemente pelo resgate da tradição pedagógica que lhe compete.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Maria Helena Guimarães: "É preciso cultivar o respeito no ambiente escolar"

Para a educadora e cientista social, normas e rituais melhoram a relação com a comunidade e podem ajudar a recuperar o valor institucional da escola.

Rever o projeto pedagógico, buscar novas tecnologias educacionais, valorizar o professor. Tudo isso é fundamental para que a escola pública volte a ser uma instituição valorizada pela sociedade. Porém, para a cientista social Maria Helena Guimarães de Castro, ex-secretária de Educação do Estado de São Paulo e do Distrito Federal, falta acrescentar um item a essa lista: o resgate de normas e rituais capazes de organizar a vida escolar e restabelecer o vínculo da instituição com a comunidade. Aos procedimentos que vão ajudar nessa revitalização da instituição de ensino - e podem, inclusive, influenciar a construção ou a consolidação da identidade da escola -, Maria Helena chama de etiqueta, fazendo uma referência ao conjunto de regras de conduta e de tratamento que é seguido em ocasiões formais e que revelam, sobretudo, o respeito às pessoas envolvidas.

Aos 62 anos, casada, três filhos e quatro netos, Maria Helena hoje presta consultoria para órgãos públicos e instituições privadas, além de atuar como pesquisadora do Núcleo de Políticas Públicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no interior paulista. Ela falou a NOVA ESCOLA GESTÃO ESCOLAR sobre como o resgate dessa etiqueta pode favorecer o ambiente de civilidade e contribuir para melhorar os resultados alcançados nas avaliações externas.

Enquanto esteve na Secretaria de Educação de São Paulo, houve um momento em que a senhora afirmou ter percebido que a escola havia perdido a etiqueta? O que isso significa?

MARIA HELENA GUIMARÃES A escola pública passou por um processo gradual de desvalorização perante a sociedade, o que se reflete, inclusive, em situações de agressividade entre professores e alunos. Para recuperar a importância, a escola precisa se apresentar como uma instituição essencial no desenvolvimento de ações para a construção de uma sociedade melhor e mais justa. Nesse sentido, considero crucial resgatar rituais, que nada mais são do que uma sequência de atos simbólicos importantes para marcar a instituição - e é isso que estou chamando de etiqueta. Acredito que é necessário criar e usar normas de convivência que sejam conhecidas e respeitadas por funcionários, alunos e pais. Afinal, a existência de boas leis e de respeito às regras do jogo faz parte da democracia.

É possível citar alguns exemplos de bons rituais escolares?

MARIA HELENA São atitudes aparentemente rotineiras, mas de extrema importância para o ambiente escolar. Algumas delas são realmente bem simples. Por exemplo, quando, no início do ano letivo, o diretor prepara a recepção aos professores, abre as atividades com um discurso e estabelece uma interação com a equipe. Com isso, os docentes começam a sentir a boa integração do grupo e a maneira como o projeto pedagógico é compartilhado e ver que existe mediação entre todos. Também é um resgate do ritual escolar comemorar os momentos de formatura das turmas e organizar cerimônias em homenagem aos professores que se aposentam ou se destacaram em algum projeto. Com isso, não quero dizer que o gestor tem de ser centralizador. Ao contrário, eu insisto no caráter participativo da atuação, que ajuda a criar um bom ambiente de trabalho. Afinal, todas as pesquisas de avaliação no Brasil e no exterior e o próprio Programa Internacional de Avaliação de Alunos - o Pisa - mostram que o clima da escola conta muito na aprendizagem.

E com relação aos alunos, como seriam esses rituais?

MARIA HELENA Organizar também uma recepção para eles no primeiro dia de aula certamente é um bom começo. Hoje, muitas instituições simplesmente abrem as portas e indicam à criança ou ao jovem a sala em que vai estudar. Às vezes, o aluno se apresenta apenas ao professor e só depois de muito tempo ele vai conhecer o diretor, quando cruza com ele eventualmente pelos corredores. Na verdade, os gestores deveriam conhecer todos os alunos e suas famílias, saber seus nomes e incentivar os professores e funcionários a fazer o mesmo.

Em que momento esses rituais se perderam no cotidiano escolar?

MARIA HELENA A escola sofreu um processo de desorganização com a expansão acelerada do ensino, especialmente nos últimos 15 ou 20 anos. As Secretarias de Educação em todo o país foram obrigadas a fazer concursos e ampliar o número de unidades com muita rapidez. Infelizmente, não houve tempo para refletir sobre as características institucionais das escolas, sobre o preparo e a formação que se esperava dos profissionais contratados. Esse quadro provocou uma desordem interna, que foi agravada pela crise de valores - um problema que, aliás, é da sociedade como um todo e não apenas da escola. Houve também a reforma da Previdência, em 1996, que resultou na aposentadoria de milhares de bons docentes, temerosos de perder direitos. Com isso, foram desfeitas equipes que eram unidas, permanentes e vinculadas à comunidade. Temos, agora, de trabalhar para reconstruir esses laços.

Como recuperar essa relação?

MARIA HELENA Além de melhorar os programas pedagógicos e investir em novas tecnologias educacionais, é preciso cultivar o respeito institucional perante a comunidade. No passado, o sistema tradicional atendia uma elite e tinha seus rituais, que garantiam o respeito da sociedade pela instituição escolar. A escola de hoje, que é formatada para receber a todos, também precisa deles.

Como a interação entre a escola e a comunidade se reflete na qualidade da Educação oferecida?

MARIA HELENA A coesão social e a Educação, tema bastante discutido no início dos anos 1990, foi retomado por Robert Putnam, professor da Universidade Harvard, em uma reunião de ministros da Educação de países integrantes da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) em Dublin, na Irlanda, em 2004. Putnam mostrou pesquisas sobre a relação entre os resultados do Pisa e de outras avaliações externas com graus elevados de coesão social e respeito à escola. É esse ponto que quero destacar ao me referir à etiqueta da escola. Não se trata de uma visão tradicionalista sobre a relação entre alunos e professores. O mesmo tema foi abordado no livro L’École ou la Guerre Civile, do professor universitário Philippe Meirieu e do jornalista Marc Guiraud, publicado em 1997, na França. A obra defende a necessidade de um novo contrato social. Para salvar a escola como instituição, os autores afirmam que é preciso voltar à questão dos valores e das regras a ser respeitadas, além de retomar a identidade do professor - que foi ameaçada, causando a perda da convicção sobre a importância desse profissional.

Esse resgate ajudaria a melhorar a indisciplina nas escolas?

MARIA HELENA Todos os depoimentos sobre violência batem nas mesmas teclas: "Chutei a cadeira porque o professor me desrespeitou", dizem os alunos. "Discuti com o aluno porque ele não presta atenção", reclamam os docentes. A escola não pode reproduzir situações que ocorrem em muitos lares e na sociedade em geral. Ela tem de criar mecanismos que garantam um clima interno de civilidade - até para servir como uma nova referência para seu público. Não há a possibilidade de um ambiente educativo funcionar bem se o aluno não tem consideração pelo professor e pela direção. O perfil de liderança do bom gestor é fortalecido quando ele constrói regras para garantir a boa convivência entre as partes.

Existem programas em redes públicas que incentivem a boa gestão?

MARIA HELENA No processo de avaliação de Minas Gerais, por exemplo, entram os indicadores de desempenho, de fluxo escolar e também os de qualidade da gestão. O estado tem um sistema misto de escolha do diretor. Faz-se uma prova, os selecionados recebem capacitação, apresentam um plano de trabalho e são eleitos pela comunidade escolar. O mandato pode ser renovado. Porém a cada três anos avalia-se a qualidade da gestão. Quando fui secretária de Educação do Distrito Federal, propus um modelo inspirado no de Minas. Até o momento da eleição, o processo é igual. Uma vez eleito, entretanto, o diretor assina um contrato e um termo de parceria com a Secretaria da Educação e a comunidade, representada por pais e professores. Se não cumprir o plano que apresentou, após três anos ele deixa a direção e volta para a sala de aula. Quem passa por esse processo assume um compromisso mais forte com a escola para transformá-la na melhor instituição possível.

De que forma os pais podem participar desse processo?

MARIA HELENA Para resgatar valores, é crucial organizar uma escola de pais, a maneira como ficou conhecido o espaço criado em algumas instituições para a discussão permanente entre a família e a equipe gestora. Nele, os pais são convidados a conhecer a escola e debater os principais problemas internos, as avaliações externas e o projeto pedagógico. Reunir os familiares com frequência ajuda a ampliar o universo cultural da família por meio de oportunidades de aprendizado. Exemplos: eles podem assistir a um filme ou a uma peça de teatro e depois discutir com os educadores ou ouvir uma palestra sobre sexo na adolescência, drogas e outros temas de interesse geral. Esses eventos são comuns nas boas escolas públicas e privadas, mas muitas vezes faltam onde são mais necessários: na periferia das grandes cidades, que enfrentam situações de extrema carência e onde alunos e professores estão mais expostos a situações externas de risco.

Existem exemplos de escolas de pais bem-sucedidas que tenham alcançado resultados concretos?

MARIA HELENA Há um ótimo exemplo na cidade de Nova York. O bairro do Harlem tinha os piores resultados educacionais e os mais altos índices de violência. Tanto o número de homicídios quanto o de uso de drogas despencaram após o início do trabalho da escola de pais em várias instituições de ensino, pois essa iniciativa aumentou a interação com a comunidade.

De quem deve ser a iniciativa de recuperar a etiqueta escolar?

MARIA HELENA Há 200 mil escolas públicas no Brasil. Não dá para imaginar que o Ministério da Educação sozinho, ou mesmo uma Secretaria de Educação, tenha condições de assumir esse papel por todas elas. Mas acredito que, partindo da supervisão do sistema, é possível orientar a construção de um processo de resgate de procedimentos que vão formar a etiqueta da escola e reforçar os laços de solidariedade e respeito entre gestores, professores, pais e alunos. Isso é importante para que a instituição enxergue os estudantes como alvo principal de seus objetivos e a comunidade perceba que a escola constitui o maior bem de uma política pública porque formará a próxima geração de cidadãos bem preparados.
 
Fonte: http://revistaescola.abril.com.br/gestao-escolar/diretor/maria-helena-guimaraes-preciso-cultivar-respeito-ambiente-escolar-539210.shtml

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

AOS GESTORES

Sabedores dos desafios que os gestores atualmente enfrentam em seu espaço de trabalho a Gerência de Ensino propõe estudos, reflexões, debates e trocas de experiências para um melhor andamento das escolas de ensino fundamental da Rede Municipal. Segue texto para o nosso primeiro estudo. Em breve estaremos nos reunindo para debate-lo. Lembrando que teoria, prática, observação, reflexão e ação são pontos fundamentais para um bom desempenho profissional.


A eficácia das escolas não se mede: ela se constrói, negocia-se, pratica-se e se vive.

O século XXI iniciou-se com uma bagagem cheia de incertezas políticas, ideológicas, comportamentais. Essa situação se reflete também na escola, fazendo emergir sensações de impotência e pessimismo nas pessoas que participam dessa comunidade.

Nesse debate, faz-se necessário abordar questões, como vislumbrar a escola como um espaço especial onde se pode construir o sonho e a possibilidade de uma sociedade melhor.

Como recuperar a ética pedagógica dentro da Escola e ao mesmo tempo, construir o sonho de uma sociedade melhor, que supere o marco do individualismo?

O papel da interação e da comunicação no interior da escola tornou-se um consenso entre os pesquisadores.

Ninguém melhor do que os próprios envolvidos para dizer o que precisa ser mudado e como isto pode ser feito.

Mônica G. Thurler autora deste artigo afirma que a avaliação, mais especificamente a auto-avaliação, está na base da busca pela eficácia escolar.

Para que esta autonomia na avaliação seja possível, como nos diz a autora, são necessários quatro tipos de procedimentos:

* o diagnóstico;

* a coleta de dados;

* o desenvolvimento de ações coordenadas;e

* a supervisão.

Destes, no entanto, apenas o primeiro (o mais importante) costuma ser realizado nas escolas. Isto pode ser explicado por vários motivos:

* porque o próprio conceito de avaliação não está claro, ou seja, não se sabe o que se tem a fazer;

* ou mesmo a finalidade da avaliação não está clara, isto é, para que servirá aquilo;

* ou ainda falta estrutura adequada para a realização da avaliação, como tempo (já que não há como conciliar as atividades avaliativas com as tarefas habituais) e apoio externo (profissional qualificado que auxilie no processo). Ao conceber esta forma de avaliar e de promover a eficácia das escolas, a autora parte de alguns pressupostos. São eles:

* nenhuma mudança ocorre sem que sejam levadas em conta as particularidades de cada escola e seu contexto;

* os professores não terão interesse na avaliação e nas mudanças propostas se eles não participarem das decisões acerca dos objetivos e dos procedimentos a serem adotados;

* uma escola eficaz se caracteriza pelo fato de que o movimento gerado pela avaliação seja comum para a escola como um todo e haja um conjunto de objetivos compartilhados;

* as chances de os professores modificarem sua postura serão maiores se eles tomarem consciência da situação e refletirem durante o planejamento das ações.

A partir de todos estes aspectos envolvidos em uma nova concepção de avaliação e eficácia das escolas, a autora propõe um modelo de avaliação: o Modelo das Cinco Zonas.

Essas zonas são interdependentes. Veja algumas de suas características:

Ensino orientado segundo as necessidades dos alunos: eles são levados a sério, tem-se confiança neles, encoraja-se a agirem de maneira cooperativa e autônoma.

Formação equilibrada do aluno com padrões de desempenho adequados, claros e explícitos negociados, reconhecidos e aceitos por todos.

Implicar o aluno em sua própria aprendizagem, fazendo-o participar da definição dos objetivos, do material, das situações, dos métodos e do próprio planejamento.

Cultura da escola: conhecimento socialmente compartilhado e transmitido daquilo que existe e deveria existir.

A organização interna da escola: estilo de gestão e direção, as boas relações entre os professores, o contexto no qual o corpo docente é chamado a funcionar.

Clima da escola: uma escola, como conjunto vivo de pessoas que convivem e colaboram, desenvolve sua própria linguagem, possui suas palavras, seus próprios conceitos, rituais e modos de expressão familiares que facilitam a comunicação, dão segurança, fornecem a cada um a impressão de "estar em casa".

Implicar os pais na organização da rede escolar e estabelecer relações estreitas, bem como com as autoridades escolares.

Administrar o justo equilíbrio entre autogestão e poder central, entre a autonomia da escola e o apoio a seus esforços pedagógicos pela atividade escolar.



Referências:



Publicação: Série Ideias n. 30. São Paulo: FDE, 1998



THURLER, Mônica G. Inovar no interior da escola. Porto Alegre: Artmed, 2001.


Segue orientações para uma organização interna escolar:



PLANEJAMENTO POR ESCOLA


ESTABELECER reunião semanal entre a equipe gestora ( marcar o dia e horário)

• METAS INDIVIDUAIS – todos os seguimentos

• METAS COLETIVAS

• METAS COM AS FAMÍLIAS

• REGISTRO NO PPP DAS METAS

• REGISTRAR EM ATA PRÓPRIA AS ATIVIDADES DESENVOLVIDAS

• REGISTRAR ATRAVÉS DE FOTOGRAFIAS COM SUAS RESPECTIVAS JUSTIFICATIVAS AS ATIVIDADES DESENVOLVIDAS COLETIVAMENTE OU INDIVIDUAIS

• MANTER EM DIA AS INFORMAÇÕES SOLICITADAS PELA SECRETARIA DA EDUCAÇÃO

• CUMPRIR PRAZOS DE ENTREGA

• CONFERIR EM CONJUNTO OS DOCUMENTOS ENCAMINHADOS

• ESTABELECER CALENDÁRIO INTERNO

- Assembléia geral

- Cantar o Hino Nacional toda semana, sugerimos cantar o do município e o de Santa Catarina alternados, pois os educandos precisam apropriar-se do civismo.

- Projetos

- Olimpíada de Língua Portuguesa

- Revisão PPP

- Reuniões pedagógicas

- Família na escola – Rua de cultura e de lazer

- Conselhos de classe participativos, ( não precisamos fazer todos ) planejar com antecedência com objetivos claros e plausíveis.

- Reuniões pedagógicas e com os psicólogos

- Semana meio ambiente

- Semana da literatura

- Festa junina para os alunos

- Recital de poesias, contos e causos

- Festival da canção

- Mostra pedagógica interna

- e outros


OBS: Todas as atividades deverão ser comunicadas a Gerência de Ensino com antecedência , pois nossa meta é colaborar de forma intensiva junto a administração escolar. Observar sempre o calendário da Secretaria de Educação e das escolas da rede para evitar atropelos.


Atenciosamente,



Prof. Rosangela Maria Baldessar

Gerente de Ensino Fundamental